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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Breguice de despedida


Em pedaços amargos
Despedem-se meus abraços
Que um dia foram de você
Completos, repletos, cheios
Com amor que eu dei
Não pela metade
Mas por inteiro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Tão igual


eu sou tão igual
tal qual um dia alguém normal me disse:
em nada te diferencias das insanidades de outros e da mesmice de todos.
Eu sou tão normal
Cadê a tal da loucura que aviva?
Pois de branda eu já tenho a vida
Preciso, pois, de um veneno que atiça.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meu bom Deus.

Porque há meu bom deus,
de mal me interpretar?
não sentes a pureza das minhas loucuras?
ou o pecado também tomou a ideia do que é puro?
porque há de tão severamente querer me julgar,
se a divisão das coisas terrenas eu tento quebrar
para me confundir com a essência
simples, do sentir e do ser?
porque há meu bom deus,
de querer pro inferno jogar as minhas vontades,
se a nudez com a qual me visto
faz transparecer a minha alma
decentemente arrumada
para a ocasião do viver?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

advertência

Cuidado que viver mata
e o perecer não é bonito
se a alma for desgastada

a inspiração veio do blog do Marcelo Mayer e Glauco Guimarães, julia & pedro (clique aqui)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Somos.

Somos a fantasia perdida
aprisionada nos domingos de tarde.
Somos a vontade sadia
tomada pelos pecados que ardem.
Somos...
Álcool e nicotina
noite serena e amiga
Somos...
Sexo com todos os gozos
meninos e meninas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O que há para nós é o encontro externo
Por dentro eu me perco e me desespero
E se não há aqui dentro um eu conciso
Não há para ti algo teu infinito
Pois como vem breve a finitude do nosso momento
Não peça, não insista, não teime
Guarde pra si a lembrança como teu alento.

domingo, 5 de setembro de 2010

carne da carne

Eu sou carne que da carne se alimenta
e que a morte tem como sina
Na pele própria, na pele fina,
Que como mata, assassina.

sábado, 14 de agosto de 2010

Fatalidade, vida.

Que me desculpem os suicidas
mas a vida é a própria fatalidade das minhas angústias
De pulsos rasgados a minha poesia não vive
não é plena,
não é livre,
agoniza, apenas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dor

Onde o calor não toca,
lascívia de lábios frios
lhe consome;
dor
que o amor
esqueceu de esquentar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O ósculo

Eu li o ósculo,
E senti peso;

Sobrou aperto,
e a leveza,
na liberdade das partículas
sentimentais,

Desfez-se com o calor
do ósculo escrito,

Aquele que trouxe consigo
Tudo que já me tinha fugido;

Chorei e sonhei,
arredia,

Com o fogo,
aquele calor de tudo,
que já foi um dia;

E por ter sido, e por ser fogo (ainda)
Consumiu-me o ósculo em cinzas.

sábado, 26 de junho de 2010

Tu

Tu
Tu há de saber a dor
a dor que me desfaz
pois eu nunca fui tão súplica
nunca estive de joelhos
nunca me mostrei, diante de sentimento algum,
ser toda desespero.
Mas tu,
tu há de ser o único
a sentir-me amor
a saber-me assim
do avesso
completa
e contrária
à tudo que sinto, que sonho, que penso.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

obsceno.

Não me confunda com a sua obscenidade
Lembre-se que isto não é um manifesto de personalidade
Lembre-se que é vontade vulgar
Não sabe se ama, não sabe se mata
E que na própria liberdade se perde
Pois a carne se expõem
E o espírito se cala.